O custo de vida no país onde se deseja morar é uma informação importantíssima para quem está planejando arrumar as malas e se mudar. Aqui estão algumas informações. Mas lembre-se de que esta é apenas a minha experiência. Também não garanto que as informações são corretas e atuais.
Morando na Europa
De maneira geral, a impressão que tenho de morar como estudante ou estagiária na Europa é que, ao contrário do que acontecia comigo no Brasil, é muito fácil prever os custos mensais. Primeiro que você vai ter que vir com um seguro-saúde já pago, e segundo que provavelmente você não vai ter um carro. Esses dois custos eram certamente os vilões do meu planejamento no Brasil. Sabendo exatamente quanto pagar por transporte por mês (eu pago o passe mensal do ônibus) e não precisando me preocupar com gastos médicos, planejar para onde vai o dinheiro vira uma realidade. E sinceramente, é uma das coisas que eu amo aqui na Europa - a sensação de controle sobre a minha vida.
Além disso, outra coisa bem marcante para mim aqui é que parece que todo mundo recebe dinheiro suficiente para o básico e normalmente ainda sobra um pouco para a diversão. Pão e circo garantidos até para o faxineiro, motorista de ônibus e o gari. Aliás, aqui na Finlândia, se esse pessoal recebe por volta de, sei lá, uns 1800 euros por mês, um gerente da Nokia recebe não muito mais que uns 4 mil. Com imposto progressivo, o governo morde muito mais do gerente, claro. O resultado é uma sociedade razoavelmente igualitária, mas onde todo mundo sabe que ninguém fica rico trabalhando.
O que é caro no Brasil é barato aqui - eletrônicos e celular, principalmente. O que é barato no Brasil é caríssimo aqui - comida, álcool, serviços em geral (faxineira, manicure, cabeleireiro). Mas por mais que o custo de vida daqui seja maior do que no Brasil, já que as coisas "básicas" são mais caras, qualquer salário que você receba vai ser suficiente para se manter e ainda sobre um pouquinho para um cineminha de vez em quando.
Na Finlândia
Ser estudante na Finlândia, se você é finlandês, é um sonho. Além de receber por volta de 300 euros por mês como auxílio para estudos por 55 meses e receber 80% do valor do seu aluguel (tem um limite máximo para o valor do aluguel, claro), os estudos são financiados pelo governo e você ganha um carteirinha de estudante que dá preços especiais no almoço nos restaurantes das universidades (por volta de 2,50 euros por refeição), no transporte público (33 euros por mês aqui em Tampere) e 50% de desconto nos ônibus de longa distância e trens no território nacional. Não é de se espantar que aqui estão os funcionários do McDonalds mais bem educados do mundo.
(Os preços abaixo são o que eu observei aqui em Tampere, que é a terceira maior cidade da Finlândia. Em Helsinki, o preço de alojamento, transporte e dos restaurantes certamente é maior, mas creio que não há diferenças significativas de preço em supermercados.)
Mas mesmo para os estrangeiros, estudar aqui é financeiramente viável. Não se paga pela universidade, mesmo que você não seja daqui ou da União Europeia (isso pode estar com os dias contados, mas é assunto para outro post...). Tem-se direito aos mesmos descontos que os finlandeses com a carteirinha de estudante. Os alojamentos de estudante, que oferecem quartos por valores tão baixos quanto 200 euros por mês, também não fazem nenhuma distinção se você é finlandês ou estrangeiro (tirando que normalmente os estrangeiros são alocados em prédios específicos que já contêm os móveis, criando uma espécie de segregação entre intercambistas e finlandeses).
Comida no supermercado aqui é ainda mais cara do que na Suíça, já que tudo é importado ou cultivado em estufas. Durante o verão o preço da comida cai significantemente. Eu sou vegetariana, então imagino que economizo um pouco por não precisar comprar carne no mercado (que também é muito cara por aqui), mas em compensação acabo comprando mais alimentos frescos, que são mais caros do que os congelados. Gasto mais ou menos uns 160 euros por mês com as compras, mais uns 30 a 40 euros almoçando fora, principalmente na universidade.
Nos restaurantes, normalmente uma refeição vegetariana não sai por menos de 15 euros, enquanto um prato com algum tipo de carne deve ser por volta de 20 euros. A não ser, é claro, que o restaurante seja um chinês ou uma pizzaria-kebab. Daí dá para comer bastante por menos de 10 euros. Por causa dos preços relativamente altos dos restaurantes, acabo jantando fora pouquíssimas vezes por mês.
Em resumo, consigo manter minhas despesas básicas mensais por volta de 500 euros. O que é exatamente a quantia que o governo finlandês exige para conceder o visto de estudante para estudantes de fora da UE.
Arrumar um trabalho aqui não é tarefa impossível, mas exige paciência e interesse. Paciência para procurar, interesse em buscar e em aprender alguma coisa da língua finlandesa. Estudantes podem trabalhar, sem necessidade de permissão especial, por até 25 horas semanais (em média) durante o período de aulas (setembro-maio) e período integral nos meses do verão (junho-agosto). Quem trabalha paga a pesada carga de impostos finlandesa, independente de ser estrangeiro ou não. No final das contas, um trabalho razoável paga no mínimo uns 9 euros por hora, o que dá uns 720 euros por mês. Desconte o imposto (ele varia com o que você recebe), que nessa faixa salarial ainda é razoavelmente baixo, e você fica com algo como 670 euros. Suficiente para viver uma vida de estudante :)